Como é feito o ensaio PIT passo a passo: do topo da estaca ao relatório

Como é feito o ensaio pit

O ensaio PIT avalia a integridade de estacas pela leitura de ondas de tensão. Um acelerômetro de alta sensibilidade é fixado no topo previamente preparado da estaca e o técnico aplica golpes com martelo de mão. 

Cada golpe gera uma onda que percorre o fuste e retorna ao topo sempre que encontra variações na seção ou na qualidade do concreto, além de identificar a ponta do elemento de fundação. O equipamento registra reflexões, e é a partir delas que se avalia a condição da estaca, sem qualquer intervenção destrutiva. O procedimento segue a norma ASTM D5882.

Conhecer essa sequência importa para quem contrata o serviço. A confiabilidade do resultado depende de condições de campo verificáveis, como o preparo do topo, o acoplamento do sensor e a quantidade de golpes aplicados. O que segue é o procedimento levando em conta as etapas de preparação.

O que o ensaio PIT avalia na estaca

O PIT (Pile Integrity Test), também chamado de ensaio de integridade de estacas, é um método não destrutivo aplicado a fundações profundas. Ele verifica a continuidade estrutural do fuste, ou seja, se a estaca executada corresponde em geometria e em qualidade de concreto ao que foi projetado.

Entre as anomalias que o ensaio pode revelar estão:

  • Trincas e fissuras transversais no fuste;
  • Falhas de concretagem, segregação e concreto de baixa qualidade;
  • Reduções de seção e alargamentos localizados;
  • Descontinuidades ao longo do elemento;
  • Divergência entre o comprimento executado e o previsto em projeto.

Como os impactos são aplicados manualmente e com baixa energia, o ensaio não causa dano ao elemento testado. Não há escavação, extração de testemunhos nem carregamento da estaca, que permanece apta a receber o bloco de coroamento logo após o teste.

Há um limite conceitual que precisa ficar claro desde o início. O ensaio PIT avalia a integridade estrutural do elemento, e não a sua capacidade de carga. Uma estaca pode apresentar sinal íntegro e ainda assim não atender ao desempenho previsto, caso o problema esteja na interação com o solo. Essa verificação cabe a outros ensaios.

Como a onda de tensão revela a condição do fuste

O método se apoia na teoria de propagação de ondas em barras. Quando o martelo atinge o topo, gera-se uma onda de compressão que percorre o fuste a uma velocidade que depende do material, na ordem de 3.500 a 4.000 m/s no concreto. Enquanto as características da estaca se mantêm constantes, a onda segue sem alterações relevantes.

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Figura 1: Sinal típico – sem variações relevantes de impedância – estaca íntegra.

A reflexão ocorre sempre que a impedância do elemento muda. A impedância é função da área da seção transversal, do módulo de elasticidade e da massa específica do material, e qualquer variação nesses parâmetros devolve parte da energia ao topo, onde o acelerômetro a registra. Uma redução de seção produz reflexão com determinada polaridade, e a ponta da estaca produz outra, característica. Como a velocidade de propagação é conhecida, o intervalo de tempo entre o impacto e cada reflexão se converte diretamente em profundidade.

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Figura 2: Exemplo de sinal inconclusivo

O sinal registrado funciona, portanto, como uma leitura da estaca ao longo de sua profundidade. É esse registro que sustenta a conclusão do laudo, e por isso os sinais devem constar do relatório entregue ao contratante. Além disso uma limitação do ensaio PIT é que, por vezes, em situações com presença massiva de armações, ou em presença de materiais com módulo elástico muito discrepante, pode apresentar sinais inconclusivos (Figura 2) que não necessariamente sejam indicativos de danos ou similar.

Como é feito o ensaio PIT passo a passo

A execução em campo é rápida, e é justamente por isso que o rigor de cada etapa se torna determinante. Falhas de preparo podem ser confundidas com defeitos inexistentes ou acabar mascarando defeitos reais.

1. Preparo do topo da estaca

Esta é a etapa que mais compromete resultados quando negligenciada. O topo deve ser arrasado até se alcançar concreto são, com remoção completa do concreto de má qualidade acumulado na região superior. A superfície precisa ficar plana, limpa, seca e preferencialmente lixada. Os estribos são eliminados na região central e a armadura longitudinal é dobrada, de modo a permitir o acesso do operador em segurança.

Um topo mal preparado gera reflexões secundárias que se confundem com reflexões provenientes de variações de impedância comprometendo a qualidade da análise ou até mesmo inviabilizando a mesma. O concreto também precisa ter atingido cura suficiente, adotando-se em geral o critério de sete dias ou o alcance de três quartos da resistência nominal de projeto, o que ocorrer primeiro.

2. Fixação do acelerômetro

O acelerômetro de alta sensibilidade é fixado ao topo por meio de um material viscoso, em geral cera de petróleo, que garante o acoplamento entre sensor e concreto. Essa aderência é crítica, porque um sensor mal aderido registra o sinal com atenuação e distorção, o que compromete toda a interpretação posterior.

3. Aplicação do impacto com martelo de mão

O golpe é aplicado manualmente, próximo ao ponto de fixação do sensor. A energia envolvida é deliberadamente baixa, característica que dá nome ao método (low strain) e que dispensa qualquer sistema de reação, ao contrário do que ocorre nos ensaios de carga.

4. Aquisição e registro do sinal

O equipamento portátil registra digitalmente a resposta de cada golpe. Aplicam-se dezenas de golpes por estaca e os sinais são combinados, o que reduz ruído e assegura repetibilidade. A análise preliminar é feita ainda em campo, o que permite identificar de imediato elementos com comportamento atípico e repetir a aquisição antes de a equipe deixar a obra.

5. Definição da amostragem

A quantidade de estacas ensaiadas é definida no plano de controle da fundação, considerando a tipologia dos elementos, o porte da obra e o histórico executivo. 

A ABNT NBR 6122 não faz menção ao ensaios de integridade como ferramenta de controle de qualidade, contudo é prática usual no mercado utilizar o ensaio principalmente no caso de estacas escavadas com lama bentonítica, estacas escavadas de forma convencional, como uma forma de atenuar o baixo controle tecnológico atrelado a essas modalidades. 

Como o método tem alta produtividade, ampliar essa cobertura raramente representa impacto relevante de prazo. O percentual efetivamente ensaiado deve constar do laudo.

Interpretação dos resultados e limites do método

A leitura parte da identificação da reflexão de ponta, que confirma o comprimento do elemento. A partir dela, as reflexões intermediárias são localizadas no tempo e convertidas em profundidade, enquanto a polaridade e a amplitude indicam se houve redução ou aumento de impedância naquele ponto. A classificação usual distingue estacas com sinal íntegro, estacas com indícios de anomalia e estacas cuja resposta não permite conclusão.

O método tem limitações, são as mais usuais:

  • A leitura perde confiabilidade em elementos muito esbeltos, adotando-se comumente o limite da ordem de trinta vezes o diâmetro equivalente;
  • Danos muito próximos à ponta são de difícil distinção em relação à própria reflexão de ponta;
  • Solos de alta resistência lateral atenuam o sinal e reduzem a profundidade útil de leitura;
  • Pequenas variações de impedância podem ser detectadas sem que representem comprometimento efetivo da capacidade de carga.
  • Em elementos pré-moldados, comumente os sinais tendem a apresentar redução de impedância nas emendas comprometendo sua avaliação.

Por isso o PIT não deve ser tratado como veredito isolado. Ele funciona como instrumento de triagem de alta cobertura, e seu resultado orienta a decisão de liberar o elemento, aprofundar a investigação ou submeter a estaca a ensaio de desempenho. Um relatório com conclusões categóricas, que não reconhece as limitações do método, é em si um sinal de alerta sobre a qualidade do serviço contratado.

Onde o PIT se encaixa no plano de controle da fundação

O PIT responde à pergunta sobre a integridade estrutural do elemento executado, com ampla cobertura do estaqueamento e baixo custo unitário. A prova de carga dinâmica, regida pela NBR 13208, e a prova de carga estática, regida pela NBR 16903, respondem a outra pergunta, a do desempenho e da capacidade de carga, em amostragens definidas conforme os critérios da NBR 6122. Um plano de controle robusto combina os dois eixos.

O que o laudo com ART precisa registrar

O produto do ensaio é o laudo. Um relatório consistente reúne a identificação individualizada das estacas ensaiadas, os dados de projeto de cada elemento, a data e as condições de execução, os sinais registrados, os parâmetros de análise adotados, a interpretação e as conclusões, com indicação expressa das limitações aplicáveis.

Esse conjunto precisa estar assinado por engenheiro responsável, com Anotação de Responsabilidade Técnica registrada no CREA. A ART vincula um profissional habilitado ao serviço executado e é o que confere ao documento valor perante fiscalização, órgãos públicos e seguradoras. Sem ela, o laudo tem rastreabilidade frágil e valor técnico limitado.

Rigor de execução como critério de contratação

Para conhecer o procedimento executado em campo, os equipamentos utilizados e o formato do laudo entregue, consulte a página do ensaio PIT da Sammour Engenharia. Para discutir o plano de controle da sua obra, fale com a equipe técnica.

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Gabriel Sammour - Sammour Engenharia
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